terça-feira, 26 de março de 2013

AS FRANGAS e A VIDA ÍNTIMA DE LAURA

Caio Fernando Abreu

É... está meio complicado falar do grande Caio. Isto porque li muito pouco de sua produção. Basicamente, conheço apenas “AS FRANGAS”.
Mas houve uma coincidência não proposital. Se no post anterior falei de Clarice, imaginem que AS FRANGAS faz referência explícita a esta mesma autora. Clarice Lispector. Sério!

Caio retoma em AS FRANGAS uma das publicações infantis de Clarice, “A vida íntima de Laura”. E até mesmo justifica a existência deste seu livro em razão da obra de Clarice.

Por isso, é muito interessante ler antes de AS FRANGAS, A VIDA ÍNTIMA DE LAURA. Deste modo, é possível entender as referências à Clarice e a seu livro.

Pelo que minhas poucas pesquisas indicaram, Caio Fernando Abreu publicou diversas obras, porém, destinada ao público infanto juvenil parece que somente AS FRANGAS.

Em A VIDA ÍNTIMA DE LAURA Clarice encerra a história de Laura deste modo:

“Acabou-se aqui a história de Laura e de suas aventuras. Afinal de contas, Laura tem uma vidinha muito gostosa.
Se você conhece alguma história de galinha, quero saber. Ou invente uma bem boazinha e me conte.
Laura é bem vivinha.”

E Caio Fernando Abreu leva a sério esta solicitação de Clarice, tanto que a epígrafe inicial do livro é um trecho dela:

Vai sempre existir uma galinha como Laura e sempre vai haver uma criança como você. Não é ótimo? Assim a gente não se sente só.”

(A VIDA ÍNTIMA DE LAURA)

E continua retomando Clarice:

ACHO que a melhor história sobre galinhas que euconheço chama-se A vida íntima de Laura. Laura era uma galinha, claro. Lendo esse livro você vai descobrir que As galinhas também têm uma vida íntima. Quem contou a história de Laura foi uma grande escritora, a Clarice Lispector. Ela entendia muito de galinhas. De gente também. Bem no finzinho lá do livro dela, a Clarice diz assim: “Se você conhece alguma história de galinha, quero saber. Ou invente uma bem boazinha e me conte”.

Foi por isso que resolvi escrever esta história. Eu gostava muito da Clarice e queria agradar um pouco a ela. Ela já morreu, mas sempre acho que a gente pode continuar querendo agradar a quem já morreu. Gosto de pensar que quem já morreu fica num lugar quentinho, que a gente não vê, cuidando de quem ainda não morreu. E se você quiser agradar a essa pessoa, é só fazer coisas que ela gostava. Aí ela fica ainda mais quentinha e cuida ainda melhor da gente. Pois como eu sei umas histórias de galinhas bem engraçadas, vou tentar contar elas pra Clarice e pra vocês, certo?


E Caio começa a história de suas galinhas. Todas bonitinhas, com histórias diferentes e com nomes próprios: Ulla, Gabi, Juçara, Otília, Blondie, Maria Rosa, Maria Rita e Maria Ruth Só que estas galinhas são diferentes da Laura da Clarice. Embora, em alguns momentos, chegam a ter semelhanças.

Caio também, assim como Clarice em A MULHER QUE MATOU OS PEIXES, busca na construção de seu texto enredar seus leitores, sempre os chamando para participarem da ‘conversa’. É o que podemos constatar, por exemplo, no fragmento:

“Me diga você: que rei você conhece que gosta de roer osso ou perna de cadeira?”

Quinze anos separam A VIDA ÍNTIMA DE LAURA de AS FRANGAS. Em vida, Clarice nem sonhou que AS FRANGAS pudesse um dia nascer. Entretanto, Caio consegue torná-las obras ‘irmãs’, tanto pela intertextualidade, quanto pela interdiscursividade, pela polifonia, pelo dialogismo. AS FRANGAS é uma resposta direta a A VIDA ÍNTIMA DE LAURA.

O resultado você só poderá saber depois que ler.

Vamos nessa, então?

Antes disso, retomando aquela questão que apontei no post anterior sobre as inúmeras publicações nas redes sociais assinadas com o nome de Clarice ou do Caio e outros tantos, para não corrermos o risco de perpetuarmos estes equívocos, o melhor mesmo é começarmos a ler mais obras destes autores.

Para isso, na próxima, indicarei algumas obras destes dois grandes autores, algumas que já li e outras que pretendo ler. Quem sabe assim consigamos identificar se os posts foram realmente palavras deles ou não, ou se há possibilidade de ser.

Segue o link para baixar AS FRANGAS:

Até a próxima

Ana Paula Alves Pereira Ferreira

Oficina Pedagógica, Francisco Morato, SP.

paullaferr@gmail.com

terça-feira, 12 de março de 2013


Certamente você já ouviu muitas vezes este nome:

 
CLARICE LISPECTOR

 
 

Podemos defini-la como uma das maiores escritoras dos últimos tempos. Seus escritos são tão indicados que, ultimamente, muita gente, meio cara de pau, tem inventado (ou reproduzido) frases, pensamentos, algumas até bonitinhas, mas não se revelam. Porém, para que sejam amplamente divulgados acabam por colocar como autoria o nome Clarice Lispector. Duvida? Dê uma espiadinha no Facebook, no Twitter. Observe a quantidade de gifs com frases de efeitos e de auto-ajuda com autoria identificada: Clarice Lispector.

É até decepcionante imaginar que aquele pequeno texto que você encontrou no perfil de um amigo e simpatizou não seja da Clarice... Acontece bastante... Não somente com ela, mas com outros grandes autores. Recentemente, ouvi num programa de entrevistas que Clarice e Caio Fernando Abreu são recordistas.

Deste jeito, fica difícil. Mas, quem é leitor mesmo sempre pesquisa e acaba descobrindo!

Retomando Clarice, o que nem todo mundo sabe é que ela escreveu também para o público infantil. E diga-se, de passagem, bons contos!

Nesse processo de escrita para crianças, Clarice buscou estabelecer um diálogo com elas, fazendo com que a leitura seja um momento de interatividade entre autora e leitores.

É o que acontece em A MULHER QUE MATOU OS PEIXES. O título já nos proporciona um ponto de interrogação na cabeça: “Como assim, uma mulher que matou peixes?”. E ela inicia o conto afirmando: “Essa mulher que matou os peixes infelizmente sou eu.” O que pode ser uma verdade bem impactante. No entanto, talvez porque intencionasse que os leitores lessem o conto inteiro, apesar dela já resolver o mistério de quem matou os peixes logo de cara, ela continua: “Mas juro a vocês que foi sem querer. Logo eu! Que não tenho coragem de matar uma coisa viva! Até deixo de matar uma ou outra barata.” E pede, e espera que seus leitores a perdoem por ter matado peixes, busca envolvê-los comunicando que somente saberão como foi este episódio de matar peixes ao final do livro, isto porque, antes, precisa contar histórias de bichos, o que poderia comprovar sua afinidade com animais, atenuante no processo de perdão por ter matado os peixes. E, durante o texto todo vai mantendo este diálogo com o leitor, até o final que, é claro, não contarei.

Ao professor menos avisado, convém ressaltar que, caso ele pretenda ler o conto em voz alta para seus alunos, é impossível que fiquem calados durante este momento, porque a autora conversa, conversa com os alunos e, lógica e educadamente, eles responderão.

Bem... Finalizemos este “Blá, blá, blá...”. O que quero mesmo é compartilhar com vocês alguns dos contos de Clarice, voltados para este público infantil. Gostaria que lessem e avaliassem a possibilidade de apresentá-los a seus alunos. E que, caso apresente mesmo às crianças, dê um retorno sobre como foi esta leitura e a apreciação.

Seguem os contos:

·         A MULHER QUE MATOU OS PEIXES;

·         QUASE DE VERDADE;

·         A VIDA ÍNTIMA DE LAURA (que eu amo!);

·         COMO NASCERAM AS ESTRELAS – DOZE LENDAS BRASILEIRAS;

·         O MISTÉRIO DO COEHO PENSANTE.

Boa leitura!

Acho que na próxima atualização, trarei algo sobre o Caio Fernando Abreu, o outro recordista das falsas publicações divulgadas nas redes sociais.

Até mais!


Ana Paula Alves Pereira Ferreira